- Trecho de reportagem do Jornal Nacional de 29/08/2013.
Sessenta dias se passaram desde que a nação Brasil, ou parte dela, surtou nas ruas do país pedindo ordem, pedindo decência e pedindo respeito junto a classe política que os representam. Ao som de gritos, delírios virtuais, balas de borracha, tinta e sangue e muito pela empolgação óbvia do bom brasileiro copiador de tendências externas, qualquer um nativo desse país de certeza se emocionou e quis fazer parte daquele momento histórico. Assustados, as autoridades se recuaram, se trancaram e junto ao surto coletivo, surtaram também para trabalhar por um imediato cala boca da nação daqueles sonâmbulos que diziam ter acordado tal gigante... No máximo fez um efeito na seleção de futebol que conquistou a Copa das Confederações da FIFA realizada no mesmo período.
A queda da PEC 37, os discursos da “presidenta”, votações pelo fundo do pré-sal
para educação e saúde parece ter sido o antídoto perfeito para que aos poucos a
vida pressionada e efêmera dos revoltos pudesse enfim adormecer em paz. Mas o
bom sono é aquele de olhos abertos.
De
Junho para final de Agosto, considerando-se, desorientação econômica, a crise
dos médicos estrangeiros, julgamento do mensalão, papa pra cá, papa pra lá,
parecia que toda normalidade ia seguindo em frente para o Brasil acostumado com
o jeitinho imoral do brasileiro de ser. Até que nunca antes na história desse
país, as mesmas autoridades acuadas de junho, novamente deram um tapa na cara
de cada um dos 200 milhões de habitantes negando cassação de mandato de um deputado
já condenado e já preso por mais de 10 anos de prisão pelo Supremo Tribunal
Federal.
Vergonha? Indignação? Imoralidade? Onde está o mar tupiniquim revolto e agitado
de junho?
Verdade que o sentimento de 60 dias atrás era lindo e digno, mas pela
continentalidade territorial da nação, a miscigenação ampla e confusa e
principalmente a desorientação ideológica e facilmente manipulável por qualquer
um a qualquer momento dos comuns, iria ceder ao cansaço dos debates densos originários
dos diversos posicionamentos (desde partidários, conservadores, esquerda,
direita, centro, reacionários, anarquistas...) causados pela luta de preenchimento
do espaço vazio.
A
quem diga que a volta do sono profundo do povo, seria por motivos de teorias d conspirações eleitorais, uns acreditando na lavagem da mídia desfocando a causa
por bagunça, outros acreditando no favorecimento de campanha pelo PSDB, outros
usando o movimento para alavancar bandeiras mortas de instituições sindicais e
estudantis. Mas e aquele cidadão cotidiano? Que saiu de casa com o cartaz
colorido, com português errado, apenas por sentimento? Ninguém conseguiu pegar
no braço, chamar para explicar o que realmente estava acontecendo ali, como começou e o que
possivelmente poderia acontecer. Os partidos atingidos pela velha forma de
fazer política pra si, detentores de organização, atingidos pela massa ensandecida
e com medo, não tiveram coragem
suficiente para se preocupar em fomentar mais seguidores, os intelectuais de
plantão ficavam revezando entre criticar e analisar os próximos passos, as redes
sociais viraram verdadeiras redes de falsas e equivocadas observações... Eis aí
causa da morte dos revoltos temporários! O esquecimento da formação de opinião
de sustentação quando o mar se acalmou para voltar a banhar seus peixes.
Embevecidos
por assuntos de momento, excesso de ópio religioso e como diria o amigo Sandro
Augusto: “ - O Brasil não quer solução, o Brasil quer assunto.” Tanto faz se é
o final de uma novela, o novo campeão de reality show, o líder do campeonato
brasileiro de futebol, a falta de estrutura médica no fim do interior dos
estados, médicos cubanos, médicos marcianos, corrupção, mensalão, a blasfêmia de
homossexuais quebrando imagens santas, o clima, o tempo... o primeiro deputado
presidiário é só mais um entre qualquer um, pois somos assim e assim seremos
atentos apenas no grito de gol do atacante preferido.
Até quando ?
Até quando ?
Ao
ir pra rua ou pra cama, sozinho ou coletivamente, é recomendável saber o que
está de fato se fazendo, pois para dormir bem, basta apenas estar ciente entre
a diferença do sonhar e o acordar.
Pátria Amada, desastrada, Brasil ! Deus, Salve Salve, abençoe!



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