“A
fé de um mero mortal não se questiona, mas sim a omissão da consciência de cada
um.”
O tropicalismo do futebol, novelas, belas mulheres, realitys shows, samba e belezas naturais, sediou em sua Cidade Maravilhosa o grande Woodstock Católico no mês de Julho de 2013: A 38ª Jorrnada Mundial da Juventude, #JMJ, que balançou e mobilizou o mundo com um espiral de mensagens da
grande afirmação de uma nova era na mais tradicional igreja do mundo ocidental.
Um
país ainda tentando tirar a poeira das ruas manchadas por sangue, gritos,
confetes, balas e gases aliou-se com uma igreja manchada por escândalos de
pedofilia, corrupção econômica interna, desgastada pelo
conservadorismo de suas opiniões feudais e em conflito com o digital e inconsequente mundo contemporâneo. Parecia o casamento perfeito para que ambos pudessem
juntos camuflar suas doenças e se levantar ou se ajoelhar sobre os pés do
altíssimo pedindo luz diante da escuridão prevista. O veneno
perfeito para se pedir perdão e continuar tentando respirar dias melhores, a
festa perfeita para a euforia da motivação leviana, aplicado diretamente na
veia dos principais jovens atores (que espalharão por gerações, ou não, ou até
a conjuntura precisar ser revista) os ensinamentos adquiridos e aplaudidos em
lágrimas de devoção e emoção vividas nos dias de benção do evento, conseguindo atingir o objetivo maior pelos flashes exagerados das milhões de mentes
atentas como numa partida de final de copa do mundo, ignorando na inquisição
moderna as blasfêmias de outros tipos de ilusões refletidas dos interesses
cotidianos.
Nas
redes sociais, o grande termômetro das novas criaturas intelectuais de qualquer
coisa, deixou bem claro o montante de ovelhas que foram brotadas através da
encenação romântica, política e religiosa e junto com a carência social e
ideológica do povo brasileiro atingiram o clímax da necessidade constante de
uma renovação espiritual, a final aqui é o país da maior carga tributária de canalhice
por renda per capita do universo, e nada melhor que o ópio do povo para nos
adormecer.diante das dores civis.
Milhões de jovens, milhões de verbas, milhões de espíritos juntos glorificados, atônitos por alguma esperança que pudesse firmar toda a velha forma do atual sistema social calcado no besteirol momentâneo, óbvio que iria gerar milhões de problemas e o que se viu foi mais um delírio coletivo despercebido da grande produção pirotécnica na incapacidade do país de se planejar, se organizar e na base de varrer os vidros quebrados da revolução e da lama gelada, usou o álibi de se livrar de tudo com o calor inato da alegria tupiniquim de receber as línguas diferentes lideradas por um simpático idoso senhor latino americano de aparência humilde, cordial, desprovido de protocolos e sempre com um sorriso no rosto, mundialmente conhecido como Papa Francisco.
A
igreja que veio se retratar historicamente na terra tropical montou bem sua nova era, “demitiu”
o velho ranzinza e luxuoso Bento XVI num movimento surpresa no tabuleiro e em
meio a uma crise econômica instalada em sua região continental pensando
estrategicamente no avançar de sua dominação institucional, concentrando forças
no continente com maior numero de fieis e saúde econômica. Brilhante jogada! Lustrada
pelo discurso demagogo das frases de efeito de seu novo e bem assessorado líder
espiritual. Claro, cada um tem o direito de declarar amor, submissão, perdão e
gratidão ao Deus que assim lhe foi ensinado ou percebido, é da natureza humana
dever glórias pelos sentimentos de enxergar, ouvir, andar, cantar, falar, tocar,
beijar, gozar e respirar cada segundo do privilégio não entendido ainda do que
é a vida, mas cada um tem o dever, ou deveria ter, de se portar segundo as leis
do conjunto da decência moral historicamente montada por seus antepassados, preservando assim o privilégio ainda não entendido do que é a vida. E ao que se percebe,
a degradação ambiental, a banalidade da vida, a mercadologia espiritual, os costumeiros
e cometidos sete pecados capitais e a incrível fragilidade de se pregar amor a
qualquer momento a qualquer um e a qualquer coisa, tem demonstrado dia após
dia a insuficiência e deficiência espiritual que cada um de nós têm mantido na
busca da eterna era de nós mesmos.
Os
fortes fiéis, (sim ainda existem pessoas capazes de se perpetuar no bom senso e
no esquivo das tentações mundanas) parecem ser
os únicos detentores de observar e sentir a figura de um Deus da luz brilhante da justiça, puramente espiritual
e não aquele deus montado a ferro e fogo que nasce a cada dia nas páginas de jornais,
sites, troféus, moedas, carros, celulares, status, que nos acostumamos a glorificar.
“A
consciência espiritual de cada um não se questiona, mas sim a fé omissa de um
mero mortal.”
P.S Que meu Deus dos justos me perdoe pelas palavras
escritas, não as escrevo de coração alvejado, mas as escrevo por olhos
castigados.
Elder Silva
¹Deus ex machina expressão latina vinda do grego "ἀπὸ μηχανῆς θεός" (apò
mēchanḗs theós), significa "Fantasma surgido da máquina".É utilizada para
indicar uma solução inesperada, improvável e mirabolante para terminar uma obra
de ficção ou drama.


Uma boa análise. Mas o que temos aí na JMJ é uma vontade de para a retração, e não uma renovação. Os progressistas já viram isto com os discursos conservadores do papa Chico.
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