sábado, 27 de julho de 2013

Deus ex machina ¹

“A fé de um mero mortal não se questiona, mas sim a omissão da consciência de cada um.”

O tropicalismo do futebol, novelas, belas mulheres, realitys shows, samba e belezas naturais, sediou em sua Cidade Maravilhosa o grande Woodstock Católico no mês de Julho de 2013:  A 38ª Jorrnada Mundial da Juventude, #JMJ, que balançou e mobilizou o mundo com um espiral de mensagens da grande afirmação de uma nova era na mais tradicional igreja do mundo ocidental.
Um país ainda tentando tirar a poeira das ruas manchadas por sangue, gritos, confetes, balas e gases aliou-se com uma igreja manchada por escândalos de pedofilia, corrupção econômica interna, desgastada pelo conservadorismo de suas opiniões feudais e em conflito com o digital e inconsequente mundo contemporâneo. Parecia o casamento perfeito para que ambos pudessem juntos camuflar suas doenças e se levantar ou se ajoelhar sobre os pés do altíssimo pedindo luz diante da escuridão prevista. O veneno perfeito para se pedir perdão e continuar tentando respirar dias melhores, a festa perfeita para a euforia da motivação leviana, aplicado diretamente na veia dos principais jovens atores (que espalharão por gerações, ou não, ou até a conjuntura precisar ser revista) os ensinamentos adquiridos e aplaudidos em lágrimas de devoção e emoção vividas nos dias de benção do evento, conseguindo atingir o objetivo maior pelos flashes exagerados das milhões de mentes atentas como numa partida de final de copa do mundo, ignorando na inquisição moderna as blasfêmias de outros tipos de ilusões refletidas dos interesses cotidianos.
Nas redes sociais, o grande termômetro das novas criaturas intelectuais de qualquer coisa, deixou bem claro o montante de ovelhas que foram brotadas através da encenação romântica, política e religiosa e junto com a carência social e ideológica do povo brasileiro atingiram o clímax da necessidade constante de uma renovação espiritual, a final aqui é o país da maior carga tributária de canalhice por renda per capita do universo, e nada melhor que  o ópio do povo para nos adormecer.diante das dores civis.

            Milhões de jovens, milhões de verbas, milhões de espíritos juntos glorificados, atônitos por alguma esperança que pudesse firmar toda a velha forma do atual sistema social calcado no  besteirol  momentâneo, óbvio que iria gerar milhões de problemas e o que se viu foi mais um delírio coletivo despercebido da grande produção pirotécnica na incapacidade do país de se planejar, se organizar e na base de varrer os vidros quebrados da revolução e da lama gelada, usou o álibi de se livrar de tudo com o calor inato da alegria tupiniquim de receber as línguas diferentes lideradas por um simpático idoso senhor latino americano de aparência humilde, cordial, desprovido de protocolos e sempre com um sorriso no rosto, mundialmente conhecido como Papa Francisco.
A igreja que veio se retratar historicamente na terra tropical montou bem sua nova era, “demitiu” o velho ranzinza e luxuoso Bento XVI num movimento surpresa no tabuleiro e em meio a uma crise econômica instalada em sua região continental pensando estrategicamente no avançar de sua dominação institucional, concentrando forças no continente com maior numero de fieis e saúde econômica. Brilhante jogada! Lustrada pelo discurso demagogo das frases de efeito de seu novo e bem assessorado líder espiritual. Claro, cada um tem o direito de declarar amor, submissão, perdão e gratidão ao Deus que assim lhe foi ensinado ou percebido, é da natureza humana dever glórias pelos sentimentos de enxergar, ouvir, andar, cantar, falar, tocar, beijar, gozar e respirar cada segundo do privilégio não entendido ainda do que é a vida, mas cada um tem o dever, ou deveria ter, de se portar segundo as leis do conjunto da decência moral historicamente montada por seus antepassados, preservando assim o privilégio ainda não entendido do que é a vida. E ao que se percebe, a degradação ambiental, a banalidade da vida, a mercadologia espiritual, os costumeiros e cometidos sete pecados capitais e a incrível fragilidade de se pregar amor a qualquer momento a qualquer um e a qualquer coisa, tem demonstrado dia após dia a insuficiência e deficiência espiritual que cada um de nós têm mantido na busca da eterna era de nós mesmos.
Os fortes fiéis, (sim ainda existem pessoas capazes de se perpetuar no bom senso e no esquivo das tentações mundanas) parecem ser  os únicos detentores de observar e sentir a figura de um Deus da  luz brilhante da justiça, puramente espiritual e não aquele deus montado a ferro e fogo que nasce a cada dia nas páginas de jornais, sites, troféus, moedas, carros, celulares, status, que nos acostumamos a glorificar.

“A consciência espiritual de cada um não se questiona, mas sim a fé omissa de um mero mortal.”


P.S Que meu Deus dos justos me perdoe pelas palavras escritas, não as escrevo de coração alvejado, mas as escrevo por olhos castigados.


Elder Silva 

¹Deus ex machina expressão latina vinda do grego "ἀπὸ μηχανῆς θεός" (apò mēchanḗs theós), significa "Fantasma surgido da máquina".É utilizada para indicar uma solução inesperada, improvável e mirabolante para terminar uma obra de ficção ou drama.

Um comentário:

  1. Uma boa análise. Mas o que temos aí na JMJ é uma vontade de para a retração, e não uma renovação. Os progressistas já viram isto com os discursos conservadores do papa Chico.

    ResponderExcluir